Amor em Linha de Código | Lula Estufada com Mel
A novel chinesa que inspirou o dorama Go Go Squid!
A novel Amor em Linha de Código é uma das histórias mais queridas entre os fãs de romance contemporâneo chinês, combinando amor, tecnologia, competições e crescimento emocional em uma narrativa viciante.
Table Of Content
Escrita por Mo Bao Fei Bao, a obra original (蜜汁炖鱿鱼 / Honey Stewed Squid), lançada em 2017, conquistou milhares de leitores por unir romance slow burn, protagonistas brilhantes e um universo competitivo baseado em segurança cibernética e campeonatos de CTF (Capture The Flag).
E sim: o título original traduzido literalmente significa Lula Estufada com Mel. Estranho? Bastante. Mas essa é exatamente aquela história que engana pelo nome e conquista pelo conteúdo.
Se você gosta de romance leve, personagens inteligentes e aquele clássico contraste entre uma protagonista calorosa e um protagonista frio e reservado, essa história merece sua atenção.

Sobre a obra original:
Título original: 蜜汁炖鱿鱼
Título adaptado: Amor em Linha de Código
Tradução literal: Lula Estufada com Mel
Título em inglês: Honey Stewed Squid
Autora: Mo Bao Fei Bao
Ano de lançamento: 2017
Gênero: Romance, contemporâneo, tecnologia, e-sports
Status: Completa
Idioma original: Chinês
A obra faz parte de uma trilogia conectada dentro do universo criado pela autora, com histórias independentes, mas interligadas por personagens e eventos.
Sinopse:
Tong Nian é uma jovem prodígio da computação. Além de seu talento acadêmico impressionante, ela também é uma cantora online extremamente popular, conhecida no mundo digital por sua voz doce e presença marcante, acumulando milhares de fãs. Apesar de toda sua inteligência, quando o assunto é amor, Tong Nian é completamente inexperiente.
Tudo muda quando ela conhece Han Shangyan. Han Shangyan é um ex-jogador lendário e um verdadeiro gênio respeitado no mundo da segurança cibernética competitiva. Hoje, ele lidera uma equipe de elite com um único objetivo: vencer o campeonato mundial e levar seu país ao topo.
Frio, disciplinado e totalmente focado em sua carreira, Han Shangyan nunca teve espaço para distrações. Até Tong Nian aparecer. Determinada e sincera, Tong Nian decide se aproximar, quebrando aos poucos as barreiras emocionais que Han construiu durante anos.
Entre competições intensas, rivalidades antigas e sonhos que carregam o peso do passado, nasce uma relação inesperada. Uma história sobre amor, perseverança e a coragem de permitir que alguém atravesse suas defesas.
[Espaço para link interno: confira também nossa indicação de outra novel de romance contemporâneo]
Adaptação para drama
Em 2019, a novel ganhou adaptação para o drama chinês Go Go Squid!, estrelado por Yang Zi e Li Xian.
O drama se tornou um grande sucesso de audiência e ajudou a consolidar ainda mais a popularidade da obra original, expandindo sua base de fãs dentro e fora da China. Mesmo com algumas adaptações narrativas, a essência da novel permanece intacta.
Leia os primeiros capítulos
Os primeiros capítulos de Amor em Linha de Código (Lula Estufada com Mel) já estão disponíveis aqui no Mil Pergaminhos.
Entre jogos, coincidências e emoções que surgem sem aviso, acompanhe o início de uma história em que um encontro inesperado pode mudar o rumo de duas vidas.
Prólogo
O Primeiro Amor da “ Pequena Lula”
Quer saber o que é amor à primeira vista?
É exatamente isto.
Naquele exato instante, encarando o homem separado dela por apenas um balcão, Tong Nian experimentou o verdadeiro significado de se apaixonar à primeira vista.
Ela abaixou a cabeça, os dedos clicando rapidamente no teclado enquanto digitava. Estava apenas criando uma nova senha, mas sua mente voltava, repetidamente, ao momento de segundos atrás: quando ele pronunciou aquelas duas palavras — passe noturno — será que ela tinha sorrido para ele? O canto dos lábios havia se curvado levemente? Ou apenas ficou ali, olhando para ele como uma idiota?
Com grande esforço, conseguiu terminar a configuração da senha. Pegou um pedaço de papel e anotou o nome de usuário e a senha.
— Hum… o passe noturno é válido a partir das onze da noite até as seis da manhã. Normalmente fechamos às sete, então você pode ficar até esse horário sem problemas.
Ela deslizou o papel pelo balcão e, usando o que considerava sua voz mais adorável — cuidadosamente doce, gentil e acompanhada de um olhar deliberadamente fofo — acrescentou:
— Ah… ali atrás — apontou para o armário — temos macarrão instantâneo e bebidas. Se estiver com fome, pode me chamar a qualquer momento. Posso ferver água e preparar um macarrão para você.
O homem mal parecia estar ouvindo. Apenas assentiu de forma distraída, pegou o papel e se afastou sem desperdiçar sequer um olhar extra com aquela garota desconhecida.
Mas, céus… como ele era bonito.
Na verdade, Tong Nian só estava ali porque seu melhor amigo praticamente a havia coagido a tomar conta do cybercafé por uma hora. Jamais imaginou que acabaria assim: falando sozinha, com o coração preso em uma armadilha chamada amor.
Quando o homem escolheu um lugar no canto, perto da janela, ela tomou sua decisão.
Naquela noite, inventaria qualquer desculpa para não voltar para casa.
Ficaria ali.
A noite inteira.
Quando seu melhor amigo voltou, carregando duas caixas de oden nas mãos, encontrou Tong Nian escondida atrás do balcão, abrindo furtivamente um pacote de macarrão instantâneo e separando palitos picantes e pés de frango conservados em pimenta. O brilho em seu rosto era o mesmo de alguém que havia acabado de se apaixonar perdidamente.
Ele ficou genuinamente atordoado.
— Ei, o que você está fazendo?
Seu melhor amigo achou que ela estava roubando comida para depois colocar a conta nele. Aproximou-se por trás e deu um tapinha em seu ombro.
— Se vai roubar comida, pelo menos tenha bom gosto. Tem Ferrero Rocher no armário.
— Sério?
Tong Nian respondeu, visivelmente agitada, colocando tudo em uma bandeja recém-limpa. Sem nem levantar a cabeça, ordenou:
— Anda logo e me entrega.
Seu melhor amigo ficou sem palavras.
Obedientemente, pegou a caixa inteira de Ferrero Rocher — que havia escondido para comer mais tarde — e entregou a ela.
Ele pensou que ela deixaria pelo menos alguns para ele.
Mas não.
Tong Nian rasgou a embalagem e despejou tudo, sem piedade, na bandeja.
E então, carregando aquele luxuoso “combo da madrugada”, caminhou em direção ao canto do cybercafé.
Nervosa.
Muito nervosa.
Mesmo usando sapatos baixos, sentia como se pudesse escorregar e cair a qualquer instante.
Quanto mais temia derramar a sopa do macarrão, mais suas mãos tremiam.
Se soubesse que chegaria a esse ponto, teria preparado um macarrão instantâneo UFO em vez daquele com caldo.
Quando a sopa respingou pela segunda vez, ela finalmente parou atrás dele.
Respirou fundo.
Seu olhar vacilou por um instante e só depois de observar o ambiente ao redor conseguiu recuperar um mínimo de compostura.
— Hum… olá.
Meu Deus.
Por que sua voz parecia tão tensa?
E sua bela voz de cantora? Para onde tinha ido?
O homem não respondeu.
Os fones fornecidos pelo cybercafé continuavam pendurados no monitor, intocados. Ele usava seus próprios fones pretos.
Na visão de Tong Nian, aquilo era praticamente uma obra de arte.
Na opinião dela, um homem bonito precisava, obrigatoriamente, ficar ainda melhor usando fones de ouvido. Era uma convicção estética que sustentava desde a infância.
Desde o momento em que ele entrou naquele cybercafé, cada gesto, cada movimento, acertava seu coração em cheio.
Na tela do computador, um jogo ocupava toda a tela.
Ele estava jogando?
Mas era estranho… suas mãos nem sequer estavam no teclado.
Hesitando, Tong Nian estendeu o dedo indicador e o cutucou levemente no ombro.
Finalmente, ele se virou.
Com cuidado, ela colocou a bandeja diante dele.
— Isto… é o combo da madrugada do café.
— Oh…
A surpresa apareceu em seu rosto por um instante, mas logo ele pareceu entender a situação.
— Quanto custa?
Ah.
Então ele achou que ela estava vendendo comida.
Fazia sentido. Cybercafés costumavam empurrar lanches para aumentar o faturamento.
Afinal, dez yuans por um passe noturno não era exatamente muito lucro.
Pensando nisso, ele puxou preguiçosamente uma pequena pilha de dinheiro da jaqueta pendurada na cadeira.
— Hã? Não precisa—
— Trinta.
Sem aviso, o melhor amigo de Tong Nian apareceu atrás dela, colocou a mão em seu ombro e respondeu com um sorriso:
— Separadamente, daria quarenta yuans, mas o combo sai por trinta.
O rosto de Tong Nian ficou vermelho na mesma hora.
Ela lançou sinais desesperados com os olhos para o amigo.
Mas ele fingiu não perceber.
Aos olhos do homem à sua frente, aquela silenciosa troca de olhares parecia apenas um casal brigando pelo preço.
— Ah…
Ele soltou um som de compreensão e colocou cinquenta yuans sobre a mesa.
— Então, por favor, traga também uma lata de Sprite. Obrigado.
E assim…
Assim mesmo…
O diálogo terminou.
A cena romântica que Tong Nian havia ensaiado incontáveis vezes em sua mente acabou antes mesmo de realmente começar…

Capítulo 1 | E-sports I
Depois de voltar para trás do balcão, Tong Nian mergulhou no trabalho, rangendo os dentes de puro ressentimento. Registrou, um por um, todos os itens que havia levado até ele e começou a somar e recalcular, certificando-se de que seu melhor amigo não lucraria um centavo sequer.
Seu melhor amigo, Dou Nai, estendeu a mão, hesitante, para pegar a nota de cinquenta yuans. Mas bastou um único olhar de Tong Nian para que ele recuasse imediatamente.
— Eu só estava preocupado que você estivesse sendo enganada. Queria testar se ele era daqueles caras quebrados que passam a noite inteira jogando. Minha família tem um cybercafé, eu conheço esse tipo. A maioria vive mal. No máximo, dá para dizer que esse tiozinho é um pouco mais bonito que a média.
Depois de falar isso, lançou um olhar discreto na direção do homem e, contrariando a própria consciência, acrescentou:
— Só um pouquinho melhor…
Tong Nian continuou fazendo as contas, ignorando-o.
— Ei, não me ignora, Lula Chicory! Grande Lula! Pequena Lula! Peixe Lula! Squidie! Fishie!
Dou Nai desfilou todos os apelidos que ela usava no mundo virtual, mas nenhum foi capaz de arrancar sequer um olhar dela.
Por fim, derrotado, levantou as mãos em rendição.
— Tá bom, tá bom. Eu ajudo.
— Sério?
Tong Nian ergueu a cabeça na mesma hora, os olhos brilhando de esperança.
— Vamos dar a ele uma semana de acesso gratuito? Dizemos que foi um sorteio. Não… melhor ainda, um prêmio instantâneo. Assim ele vai ter motivo para voltar.
Enquanto falava, Dou Nai sentia o coração sangrar pela promoção inventada.
Os olhos de Tong Nian brilharam.
— Boa ideia!
Ela lançou um olhar furtivo na direção do homem.
— Vai lá. Você fala com ele.
Dou Nai arregalou os olhos.
— Eu? De novo?
Tong Nian baixou a voz, conspiratória:
— Diz que é um sorteio automático. Ele só precisa escanear o QR Code do café no WeChat e o prêmio sai na hora. Use aquelas técnicas de venda que você aprendeu naqueles dois meses trabalhando naquele esquema de marketing duvidoso.
Dou Nai fez uma careta.
— Nosso café nem tem conta oficial no WeChat.
Tong Nian abaixou os olhos para o celular.
Hesitou.
Por exatos dois segundos e meio.
Então tomou sua decisão.
Mudou o nome do perfil e entregou o celular para ele.
— Usa minha conta.
Na tela, seu nome havia sido alterado para: “Há acaso esta noite”. Era o mesmo nome da placa pendurada na entrada do cybercafé. Dou Nai entendeu imediatamente a intenção por trás daquilo.
Segurando o celular como se fosse uma arma prestes a explodir, foi executar o plano. O resultado daquela madrugada? Dois grandes acontecimentos. O primeiro: um novo contato adicionado em seu WeChat.
ID: Gn.
O segundo: seu grupo de fãs entrou em completo caos. Ninguém conseguia acreditar que a famosa “Peixe Brincando em Sealed Chambers”, sempre fria, distante e arrogante — embora secretamente adorável — tivesse mudado o nome de usuário para “Há acaso esta noite”.
Conclusão óbvia de seus fãs: Sua conta tinha sido hackeada. Tong Nian decidiu aceitar essa narrativa. Ignorou todas as mensagens e ficou apenas encarando, com um sorriso bobo, o novo contato recém adicionado. Foi fácil demais. Fácil a ponto de parecer irreal.
Durante meio minuto, observou aquela foto de perfil escura e indistinta, aparentemente um recorte aleatório de algo impossível de identificar. Por fim, abriu a aba de Momentos.
— Hã? — Nada…
Além de algumas notícias compartilhadas sobre jogos, não havia absolutamente nada. Para alguém como ela — cantora de covers japoneses e jogadora medíocre de Lianliankan — aquilo era completamente incompreensível. O pior? Ela nem sabia por onde começar.
— Dou Nai… você entende de jogos, não entende?
— Não!
Dou Nai sorriu sem o menor constrangimento.
— Sou péssimo. Horrível. Historicamente ruim.
Tong Nian suspirou.
— Esquece.
Amanhã encontraria alguém que realmente entendesse daquele universo. Às duas da manhã, Dou Nai já havia adormecido de tanto cansaço. No cybercafé, todos usavam fones de ouvido e o ambiente estava quase em silêncio.
Exceto por um homem de meia-idade que fazia uma chamada de vídeo, rindo alto em um encontro virtual. Tong Nian, com o queixo apoiado na mão, também lutava contra o sono. O lápis em sua mão rabiscava distraidamente no papel.
Mas suas habilidades de desenho eram tão rudimentares quanto suas habilidades em jogos. Nem sequer conseguia desenhar as costas daquele homem bonito de forma convincente. Talvez devesse praticar. Pensou nisso. Então, de repente —
Ele se levantou.
Tong Nian imediatamente endireitou a postura e cobriu o papel com o braço. O homem pegou a jaqueta e começou a caminhar em sua direção. Seu coração disparou. Ela abaixou os olhos e observou: Calça cáqui; Tênis pretos de skate.
Um passo, dois passos, três passos. Na direção dela.
Ah, não.
Respira.
Tong Nian, se controla.
Mantenha uma expressão normal.
Não pisque.
…
Hã?
Por que ele estava indo direto para a porta?
— V-você… você não pagou o passe da noite inteira? — As palavras escaparam antes que ela pudesse impedi-las.
Ao vê-lo já na saída, completou apressada:
— Só se passaram duas horas.
Ela olhou para o relógio.
Sim.
Duas horas.
Por que ele estava indo embora tão cedo?
Gun parou lentamente. Virou-se. Os cabelos caíam de forma desordenada sobre a testa, provavelmente bagunçados pelas próprias mãos quando o sono bateu. Seus olhos, porém, estavam completamente despertos, afiados, penetrantes. Como se fossem capazes de atravessar o coração de alguém.
Sua expressão permanecia distante, ilegível. Era impossível prever o que ele pensava.
— Duas horas?
Ele ergueu as sobrancelhas, como se só naquele instante percebesse o horário.
— Duas da manhã ainda não é tarde?
— E-está tudo bem… eu acho.
Tong Nian congelou.
O que estou falando?
Rapidamente, reuniu os pedaços dispersos da própria consciência e recitou as palavras que havia ensaiado tantas vezes.
— Aqui está seu troco. E parabéns pelo prêmio. Volte sempre.
Colocou doze yuans e meio diante dele. Era evidente que ele havia recebido mais um desconto. Gun olhou para o dinheiro. Depois, para ela.
— Voltar sempre?
Fez uma pausa.
— Você está aqui todas as noites?
O coração de Tong Nian explodiu em esperança.
Era isso?
Ele estava perguntando por ela?
O calor subiu pelo seu rosto num instante.
Gun observou a expressão da garota e, por um momento, questionou a si mesmo.
Será que a estava pressionando?
Seu olhar deslizou até Dou Nai, adormecido no canto.
Seu pensamento original era dizer:
“Não é seguro para uma garota ficar sozinha em um cybercafé à noite.”
Mas, pelo olhar nervoso dela, parecia que ela já o considerava perigoso. Então limpou a garganta e tentou parecer o mais inofensivo possível. Inclinou-se ligeiramente. Uma covinha discreta apareceu em seu rosto enquanto sorria.
— Não tenha medo. Eu só perguntei por curiosidade.
Sem sequer pegar o troco, empurrou a porta e foi embora.
Espera…
Eu não me importo…
Pode perguntar…
As palavras ecoavam apenas em sua mente.
Tong Nian ficou olhando para a porta balançando, ainda entreaberta. E, junto com ela, o pouco de coragem que tinha reunido naquela noite também parecia escapar.
No início da manhã, Gun foi despertado pelo som de conversas e passos do lado de fora. Sentou-se no sofá e abaixou a cabeça por alguns segundos, tentando clarear a mente. Havia dormido apenas meia hora.
A dor de cabeça era intensa.
Pelo que conseguia lembrar, naquela manhã haveria uma atividade de corrida. Essa informação surgiu vagamente em sua consciência. Ainda sonolento, levantou-se, tateou até encontrar a maçaneta, abriu a porta e saiu.
Ao mesmo tempo, tirou um doce do bolso da calça, desembrulhou-o e o prendeu entre os dentes. Caminhava devagar, mastigava devagar.
À sua frente, um grupo de garotos corria usando o uniforme esportivo do time: listras vermelhas e brancas. Sinceramente, era feio. Muito feio. Mas não havia o que fazer. Aquelas eram as cores escolhidas pelo patrocinador.
Gun ainda estava apenas trinta por cento acordado. Os outros setenta por cento continuavam dormindo. Em seu rosto bem desenhado, havia uma mensagem clara: “não perturbe”. Infelizmente, sempre existia alguém sem instinto de sobrevivência.
— Ei? Chefe? Onde você foi ontem à noite? Precisa de alguma coisa?
Gun abriu os olhos com esforço e olhou na direção da voz.
— Não…
A outra pessoa mordeu o lábio e se virou, pronta para fugir.
— Se precisar de algo, diga.
Gun segurou o garoto antes que ele escapasse. Lentamente, inclinou-se para perto. Uma leve covinha surgiu em seu rosto.
— Não é como se eu fosse te comer vivo, não é?

Capítulo 2 | E-sports II
Uma semana inteira se passou, e o humor de Tong Nian já havia afundado no fundo do mar. Adicioná-lo no WeChat não servira de nada. Não importava o que enviasse — saudações educadas, previsões do tempo, mensagens promocionais ou até mesmo a desculpa de “outro prêmio” — do outro lado, não havia qualquer resposta. Muito provavelmente, ela já tinha sido bloqueada.
Deitada na cama, em um estado de total apatia, Tong Nian se resignou a revisar os anúncios do Festival de Animação, da Convenção de Quadrinhos de Inverno e da Expo Anime, rolando distraidamente o Weibo. Os comentários dos fãs estavam animados como sempre, mas Tong Nian era do tipo que tinha o coração de vidro: sensível demais e facilmente influenciada pelas opiniões alheias. Por isso, evitava interagir diretamente com internautas.
Seu Weibo servia basicamente para divulgar eventos, publicar músicas e cumprir compromissos comerciais. Foi só quando Dou Nai ligou pela sétima vez que ela finalmente atendeu.
— Alô?
— Pequena Lula… — a voz do outro lado saiu baixa, carregada de mistério. — Descobri uma forma de encontrar esse cara.
Tong Nian se sentou imediatamente na cama, quase chutando o notebook para longe.
— Sério?!
— Sério. Pedi para um especialista analisar a captura de tela daquele dia. Um amigo identificou o jogo. É God, um MOBA recente.
Tong Nian murchou.
— Eu sei… naquele dia também procurei alguém para perguntar.
Dou Nai soltou uma risada.
— Você? Uma leiga em games? Fazendo perguntas superficiais? Assim nunca ia descobrir nada. Mas eu fui além: encontrei o servidor em que ele joga e até o ID dele.
Tong Nian quase saltou da cama.
— Sério?!
— Garantido. E consegui emprestado um ID de alto ranking para você entrar nas partidas ranqueadas e encontrá-lo.
Tong Nian piscou.
— Partidas… o quê?
— Ranqueadas — respondeu Dou Nai, com aquela superioridade irritante de quem finalmente dominava um assunto. — Você é novata demais. Deixa comigo.
Naquela mesma noite, Dou Nai foi pessoalmente até a casa dela. Depois de cumprimentar os pais de Tong Nian e roubar alguns pedaços de mapo tofu na cozinha, subiu para o quarto dela como fazia desde criança. Os dois cresceram juntos, e aquela intimidade era tão natural que ninguém da família estranhava.
No quarto, Tong Nian observava ansiosa a barra de progresso do download.
— Então esse jogo funciona com cinco pessoas em cada time? Dois times lutando entre si?
— Exatamente. Você já ouviu falar de League of Legends ou Defense of the Ancients?
— Sim… acho que já vi nos eventos de anime. Mas DotA ainda existe? Achei que tinha ficado no passado.
Dou Nai quase se engasgou.
— Existe, e muito. Já está no DotA 2. Hoje é um dos jogos mais fortes nos e-Sports.
— e-Sports?
— Esportes eletrônicos. Competições profissionais de videogame.
Tong Nian tentou associar aquilo a algo familiar, citando alguns jogos online que conhecia, mas Dou Nai balançou a cabeça.
— Não é a mesma coisa. Jogos online são progressivos; eSports são competitivos. Cada partida importa.
Tong Nian ergueu a mão.
— Tudo bem. Me explica isso depois.
O download terminou. No mesmo instante, Tong Nian perdeu totalmente o interesse na explicação. Afinal, quando encontrasse aquele homem, ele mesmo poderia explicar tudo. O pensamento fez seu coração disparar.
Enquanto isso, Dou Nai tirou do bolso um papel com o login e a senha do jogo. Tong Nian digitou tudo cuidadosamente e entrou. Um som metálico de espada sendo desembainhada ecoou pelo quarto, e a tela de seleção de servidores apareceu.
Dou Nai puxou outro papel.
Servidor: Lenda de Guevara
ID: Grunt
Tong Nian repetiu o nome em voz baixa.
— Grunt…
Seus olhos brilharam.
— Que nome bonito.
Então percebeu.
O “Gn” no WeChat.
Era ele.
Dou Nai torceu o rosto.
— Bonito? Isso soa como alguém mandando você se mandar.
Tong Nian lançou-lhe um olhar mortal.
Os dois mergulharam no manual improvisado que Dou Nai havia preparado: como entrar em partidas ranqueadas, como convidar jogadores, como escolher personagens, como acessar a arena. Depois de ler tudo cuidadosamente, chegaram à mesma conclusão: não entendiam quase nada.
Dou Nai largou o papel.
— Esquece. Vamos convidá-lo primeiro. O resto aprendemos jogando. Prática leva à perfeição. Os dois pesquisaram o ID no sistema. Lista após lista de nomes começando com G, até que finalmente encontraram:
Grunt estava online.
O coração de Tong Nian disparou. Seus dedos tremiam enquanto clicava em “enviar convite”.
Esperaram.
E esperaram.
Até que uma mensagem apareceu:
O jogador está em partida. Aguarde pacientemente.
Tong Nian soltou o ar.
— Que susto… achei que ele fosse falar comigo.
Dou Nai apenas a olhou com aquele olhar clássico de “você está emocionada demais”.
Trinta minutos depois, uma nova mensagem apareceu:
A partida terminou. Aguarde a resposta do jogador.
Tong Nian mal ousava respirar.
Então:
Grunt aceitou seu convite.
— Ele aceitou!
Dou Nai tentou conter a empolgação.
— Calma. Quando entrar, fica tranquila e dá oi.
Tong Nian assentiu sem realmente ouvir.
Entrou no jogo quase em transe. Era véspera de Natal, e o cenário estava coberto de neve. Os gráficos eram belíssimos, mas ela não ligava para isso.
Seu único objetivo era encontrá-lo.
Foi então que percebeu algo estranho.
Havia apenas cinco personagens na tela.
Incluindo ela.
— Onde ele está?
Dou Nai levou a mão ao rosto.
— Ah, droga… ele caiu no time adversário.
Tong Nian franziu a testa.
— Então eu tenho que ir até ele?
— Acho que sim. Mesmo sendo inimigo, você pode dizer oi.
E assim, alguns segundos depois, nove jogadores testemunharam uma cena completamente absurda: uma personagem sem itens, sem equipamentos e sem qualquer estratégia saiu correndo da própria base, pulando freneticamente em direção ao território inimigo.
E, pelo jeito, extremamente feliz.
Grunt nem ergueu as sobrancelhas. Com dois golpes, eliminou imediatamente aquela personagem estranha que pulava na frente dele, balançando os braços e enviando repetidamente mensagens de “Oi!” acompanhadas de emojis.
Ele franziu a testa.
Que tipo de maluco era aquele?
Ao lado dele, 97 observava a tela.
— Esse cara teve a conta hackeada?
Outro companheiro comentou:
— Deve ter sido. Isso é partida ranqueada. Vale pontos reais. O time dele vai ficar furioso.
Outro caiu na risada.
— Imagina o nível do ódio: hackear uma conta, convidar especificamente o Grunt e entrar no jogo só para morrer para ele.
Mas Grunt não achou graça.
Empurrou os óculos para cima e chamou um dos companheiros.
— Joga essa partida por mim.
Levantou-se, espreguiçando-se.
— Onde está o chefe?
97 respondeu:
— Recuperando o sono. Voltou ontem de um torneio em Chicago e ainda está ajustando o fuso.
Fez uma pausa e sorriu.
— Ah, aliás… ouvi o WeChat dele tocar outro dia. Achei que ele nunca usasse aquilo para conversar. Será que está namorando?
Outro respondeu imediatamente:
— Não. Foi um cybercafé que adicionou ele e fica mandando propaganda. Eu disse que podia bloquear, mas ele não deixou.
Grunt arqueou a sobrancelha.
— Desde quando ele virou uma boa pessoa?
97 respondeu sem pensar:
— Acho que ele encontrou a consciência.
O grupo inteiro ficou em silêncio.
Gun?
Consciência?
Essa era nova.

Esta é uma tradução adaptada feita por fãs, sem qualquer reivindicação sobre a obra original. Todos os direitos pertencem à autora Mo Bao Fei Bao e seus respectivos detentores. Nosso objetivo é compartilhar cultura e aproximar leitores brasileiros de grandes histórias da literatura asiática.
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